Graça Morais: "Sinto-me revoltada e impotente, a minha força é a minha pintura"

Graça Morais: "Sinto-me revoltada e impotente, a minha força é a minha pintura"

Foi prolongada a Exposição "Graça Morais Uma Antologia" que pode ser visitada no Palácio Anjos, em Oeiras. Estava previsto terminar a 16 de agosto, agora pode ser vista até 13 de setembro. A repórter Arlinda Brandão falou com a pintora que mostra estar atenta ao mundo que a rodeia e que está preocupada com os tempos que se vivem; a situação em Gaza, as guerras da Ucrânia e Irão. Mas também as catástrofes naturais, os incêndios, o "abandono do interior do país".

Arlinda Brandão - RTP Antena 1 /

Fotografia: Arlinda Brandão

Com os fogos a norte não muito longe da sua aldeia transmontana do Vieiro, concelho de Vila Flor, Graça Morais fala de um país que precisa de olhar para as aldeias do interior que diz estar abandonado e a viver o drama dos incêndios: "Doi muito saber que este país está tão abandonado no interior. E por isso, estes perigos dos incêndios têm também a ver com esse abandono". E acrescenta que é preciso investir sobretudo na prevenção, destas catástrofes naturais".

Nesta conversa com a rádio pública, Graça Morais deixa um pedido aos governantes para que olhem para o que importa na vida das pessoas:" Tenho sentido que a maior parte, não digo todas, das autarquias só pensam em festas. Que endoideceram. Acham que as pessoas ficam felizes só por ter essas festas, e esquecem que  estão a caminhar para o deserto e para o precipício".
A pintora lembra a questão da falta de apoios no envelhecimento e na natalidade: "Cada vez as pessoas vão ter mais problemas de doença, com cancro, e as autarquias têm que poupar dinheiro em favor dessas pessoas. E ajudar os jovens a terem filhos, precisamos de crianças; não podemos ter partos em ambulâncias".
"Vivemos um período preocupante que pôe em causa o que estávamos habituados a ter como certo"
Graça Morais vive nesta altura entre Lisboa e Trás-os-Montes e também está atenta ao que se vive na capital do país: "Sinto que em certos locais de Lisboa, não há comunidade(...) que a cidade está a mudar de uma forma até assustadora. Porque expulsaram muitas pessoas da cidade. Provocou-se bulying em pessoas que não tinham dinheiro para se manterem nas suas cidades. Em nome de fundos de investimento. Em nome de milionários. O fosso entre classes poderosas e os pobres é cada vez maior. E esse fosso torna as pessoas infelizes".

Com a sua obra quer transmitir a sua "reflexão sobre o mundo que nos cerca", e em termos de atualidade internacional a pintora diz estar impressionada com "as imagens dramáticas da guerra na Ucrania, no Irão. A destruição, o ódio". Também aponta para a destruição em Gaza e sobre o presidente norte-americano Donald Trump diz que "infelizmente, é um homem que não trouxe ou não tem oferecido ao mundo a paz que nós precisamos". E a pintora conclui que "vivemos um período muito preocupante que pôe em causa muita coisa que estávamos habituados a ter como certa".

A Exposição "Graça Morais Uma Antologia" pode ser visitada no Palácio Anjos, em Algés Oeiras. A Mostra reúne mais de 170 obras de desenho e pintura e propõe uma visão abrangente do percurso da artista, evocando os temas centrais da sua criação.
PUB